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600 vezes: Cássiooooo!!!

Segundo alguns amigos locutores esportivos, é um nome bacana de gritar. Os sonoros brados de “Cássiooooooo” ficaram marcantes nas vozes de nomes da crônica futebolística tanto na TV como no rádio. As defesas milagrosas, o poder decisivo e a liderança de quem construiu uma história mais gigantesca do que os 1,96 m de altura do goleiro que, em dois jogos, vai superar a marca de Ronaldo Soares Giovanelli. Se entrar em campo no jogo desta noite frente ao Santos, pela Copa do Brasil e no próximo sábado (16) contra o Ceará-CE, na 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, Cássio Roberto Ramos vai tornar-se o jogador que mais vestiu a camisa de arqueiro nos quase 112 anos de existência do Sport Club Corinthians Paulista.


Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians


Este colunista insiste em dizer que jogador só é ídolo depois que encerrar a carreira de atleta. Porém, quando se trata de símbolos como Cássio, dou-me o direito de discordar da minha própria opinião. Até mesmo os corneteiros mais absurdos e que já pediram todos os reservas não menos ilógicos no lugar do nosso camisa 12, idolatram o gaúcho de Veranópolis. Em 2011 eu disse que daria certo. Naquele tempo, talvez fosse um dos poucos. Lembro de ter dito a alguns amigos que me recordava da presença dele em um torneio de base como titular, defendendo a seleção brasileira. Aliás, ano passado, depois que o Gigante completou dez anos de Corinthians e das especulações pelas vindas do uruguaio Edinson Cavani ao Timão, o assunto voltou à tona. Claro que não me lembrava desse detalhe, mas Cassião pegou um pênalti batido pela estrela do futebol dos nossos vizinhos do Sul durante a fase decisiva da tal competição, um Sul-Americano sub-20. Na memória, a personalidade do rapaz alto e ainda desconhecido pelo grande público, mas que fazia grandes apresentações durante o certame chamando bastante atenção dos analistas.


Foi exatamente aquela segurança a qual me permitiucrer que poderia confiar desde o primeiro momento. Na primeira partida contra o Emelec-EQU na Libertadores de 2012, a atuação de gala que garantiu a titularidade no time de Tite, pois comandante e torcida não tinham mais confiança plena em Julio Cesar. O filho do terrão falhara contra a Ponte Preta nas quartas de final do Campeonato Paulista e facilitou a vida da macaca campineira no avanço às semifinais, tirando o Corinthians da disputa. Para seguir a campanha invicta, rumo a então conquista inédita e sem derrotas da América, Cássio defendeu, salvou, espalmou, vibrou e segurou firme a maior oportunidade da vida. Na mesma esteira, o arqueiro deu sequência ao brilhante trabalho e fez, na disputa do Mundial de Clubes daquele mesmo ano vencedor do Timão, uma das mais marcantes atuações de goleiro numa partida de futebol em todos os tempos. Ali começava a cair o conto do “jogador só é ídolo quando para”, corroborada/desmentida e já citada por este que vos escreve.


Do marcante 2012 para cá, muito aconteceu. O goleiro decisivo na campanha vencedora da Libertadores e um dos grandes responsáveis pelo segundo título mundial da história corinthiana, seguiu sendo peça fundamental nas conquistas no ano seguinte. Em 2013, um troféu do Campeonato Paulista e outro da Recopa Sul-Americana. Dois anos depois, outro Brasileirão. Já em 2017, um estadual e mais um título do Campeonato Brasileiro. Nos dois anos posteriores, 2018 e 2019, o tri-paulista e a carreira cada vez mais alterosa para o torcedor do sempre altaneiro. As más fases também vieram, as críticas, o banco de reservas. Entretanto, o que para muitos era apenas “jogar com o nome” nos anos em que os troféus não vieram, parece ter mudado o curso neste 2022.


O ano 11 de Cássio com a camisa alvinegra já se tornou especial, com títulos ou sem a décima taça dele por aqui. Ver o ídolo voltando à fase plena e, principalmente, sendo peça fundamental para o time nas últimas partidas decisivas, parece ter reacendido a vontade de permanecer a elevar os números na carreira vencedora com a camisa do Timão por meio de conquistas. O momento do time é bom, mas o de Cássio demonstra ser ainda melhor. Nem as desatenções de um jogo desastroso contra o Fluminense-RJ há duas semanas o abalaram. As ações corretas ou as pisadas de bola, inclusive coincidem com os melhores instantes e me faz crer que ele tem curtido, aproveitado isso como um dos principais combustíveis para praticar a profissão em que se fez bem sucedido pelo talento na mais difícil das posições em campo. Pelo visto, a experiência vem trazendo um novo modo de liderar, a importância de ser grande referência para os demais jogadores, um verdadeiro símbolo do quanto é essencial para a trajetória de um atleta do Futebol trabalhar sério para vencer atuando pelo Corinthians. Até o jeito de lidar com as críticas aparenta estar diferente.


O Gigante tem aparência serena e chutou as prováveis inseguranças para longe como uma cobrança de tiro de meta. Os 35 anos de idade completados no mês passado se transformaram em uma espécie de segundo auge daquele que, com muito mais acertos contra erros em mais de uma década, jamais deixou o Corinthians desamparado. Vamos adiante, Cássio! Temos muito mais história para fazer, contar, surpreender e comemorar.

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